Liberdade de ser quem se é

Liberdade de ser quem se é

On Janeiro 27, 2016, Posted by , In Protagonismo, By ,, , With No Comments

Quanto mais estudo sobre educação e comportamento humano em comunidades e organizações, mais percebo que as soluções que a sociedade precisa para superar a diversidade de crises que enfrenta, passam, necessariamente, por aprendermos desde a infância, sobre a “liberdade de ser”.

Por Arno Duarte

O sistema educacional não permite que sejamos quem queremos ser. Ele foi concebido para formar trabalhadores que sustentem o modelo de produção de bens e serviços. Em verdade, nem bem sabemos que podemos ser diferentes do que nos ensinam. Há um desrespeito a nossa curiosidade e individualidade desde cedo.

A natureza questionadora da criança é sufocada pela formação escolar padronizada, na qual aprendermos tudo com outras pessoas, em instituições formatadas e conteúdos pré-definidos. Só precisamos seguir a rotina de ir para a escola diariamente, responder a chamada, sentar, produzir textos, cálculos, fórmulas e esperar a sirene tocar para voltarmos para casa. Assim como numa indústria, onde as pessoas batem ponto, produzem e aguardam pela sirene que avisa quando do final do turno de trabalho.

Não se estuda para aprender algo novo e preenchedor. Estudamos para satisfazer o sistema, para passar no vestibular ou conseguir um emprego. Não que isso seja ruim, mas porque a essência da construção do ser e do saber acaba sendo substituída pelo modelo de vida predominante na sociedade?

Se o meu ser é construído a partir de necessidades externas e do que outros me dizem que devo aprender, passo a responsabilidade das minhas transformações internas para o que está fora de mim. Mudar, melhorar e evoluir deixa de ser responsabilidade minha e passa a ser do mundo. Se eu não tenho é porque alguém não me deu, se eu não sei é porque ninguém me ensinou, se eu não faço é porque ninguém me ajuda.

A liberdade de ser implica também na responsabilidade de ser.

A função das instituições de ensino, desde a escola primária até as universidades, deveria ser de estimular as pessoas, de qualquer faixa etária, mas principalmente as crianças, a serem os responsáveis pelo que querem aprender. Professores seguem sendo valiosos, mas na função de facilitadores do conhecimento, guiando os menos experientes pelas descobertas e novos aprendizados.

Quando sou responsável pelo que eu quero aprender, passo a ser responsável por quem eu sou, quem eu quero ser, pelo que quero viver, por onde quero viver e pelas transformações necessárias no mundo com o qual me relaciono. O mesmo vale para organizações, onde se espera que o líder dê orientações e direção, quando na verdade cada empregado deve assumir a liberdade e responsabilidade de ser líder de sua vida profissional.

Acabar com a corrupção, terrorismo, guerras, violência, racismo, machismo e outros problemas, só acontecerá quando nos tornarmos responsáveis por nossa evolução e passarmos a usufruir da própria liberdade de ser. Vamos assumir que isso não é problema dos outros, mas nosso, como coletivo, e passaremos a cooperar em busca de soluções.

Felizmente, o conceito do que é educação vem se transformando organicamente em muitas escolas, com a revisão do modelo de aprendizagem e inclusão de provocações como auto liderança, criatividade, mobilização e cooperação. Mas é preciso insistir. O processo de reconstrução deste modelo enfrentará resistências, pois tira a maioria de nós da agradável “zona de conforto” de ter o controle sobre o que é ensinado aos mais novos.

A atual geração de estudantes e futuros empreendedores quer buscar o aprendizado. Eles percebem o conhecimento como um desafio, e precisam buscar soluções para este desafio. Escolas e organizações precisam estar preparadas para dar liberdade total para estes seres naturalmente curiosos e inquietos, facilitando e estimulando o desenvolvimento pleno do potencial humano disponível.

A liberdade trará a responsabilidade e as soluções necessárias para as transformações individuais que o mundo precisa.


ARNO DUARTE é coach e consultor organizacional na Favoo Desenvolvimento Humano. Adora o que faz, mas não deixa de se aventurar em peças de teatro, videoclipes, música, fotografia, meditação ou em qualquer coisa que estimule expressão e criatividade. Acredita que o sentido da vida é amar e se divide entre projetos pessoais e profissionais buscando a felicidade autêntica nas 30 horas do seu dia.

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