Mais amor, nas organizações, por favor

Mais amor, nas organizações, por favor

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Com amor é mais gostoso, mesmo assim as relações humanas no trabalho estão cada vez mais frias e robotizadas. Existe um preconceito de que sentimentos não combinam com resultados, mas responda você: em que momentos da sua vida você se sentiu mais produtivo e esbanjando energia?

Por Arno Duarte – Artigo publicado na Revista About Shoes, edição de julho de 2014

Vivemos num mundo em que a competição é o motor que faz a roda da economia girar. Desde pequenos aprendemos a ser competitivos, a ser o melhor, a superar os colegas, vencer, vencer, vencer. A competição gera disputas e, na maioria das vezes, sobrepõe iniciativas de colaboração e de generosidade entre pessoas, instituições, organizações, etc. Não raro, empresas são vistas pelos funcionários como duras e “sem alma”. Aos poucos, durante nossa vida profissional, esquecemos quem realmente somos, e nos adaptamos a esse espaço frio do mercado de trabalho.

A base da humanidade é generosa. Somos todos equipados com o mais nobre dos sentimentos, o amor, calor humano que falta nas empresas, esquecido e soterrado pela “profissionalidade” das relações. As pessoas estão ficando doentes, são enxaquecas, dores no corpo, câncer, obesidade, AVCs, depressão, ulcera, gastrite, infarto, tudo reflexo de um ritmo de trabalho que nossos corpos não estão preparados para suportar. Máquinas suportariam tamanha pressão. O mercado quer transformar pessoas em máquinas, pois máquinas não sentem.

Ninguém se preocupa com as máquinas. Se uma máquina quebra basta trocar uma peça ou comprar outro equipamento que a roda volta a girar. Máquinas não precisam ser respeitadas para fazerem o seu trabalho bem feito.

Já os seres humanos precisam de relações saudáveis no trabalho para produzir com resultado. Como podemos desenvolver grandes empresas sem relações de qualidade entre as pessoas que desenvolvem os projetos? A pressão por resultados não é mais 12/8. As empresas estão hipertensas, e tal como em pessoas, a hipertensão é uma doença silenciosa e mortal.

Quando pequenos temos uma confiança infinita nos amigos, nos irmãos, nos pais, mesmo em desconhecidos. Crianças são generosas porque confiam! Aos poucos vamos recebendo informações de que temos que ter cuidado com estranhos, seus amiguinhos roubam teu lanche, aquele segredo que você contou a alguém foi revelado. São tantas decepções que aos poucos perdemos esta confiança, que antes era natural, e passamos a avaliar tudo e todos, julgar sem conhecer, suspeitar para garantir. Duramente aprendemos que ser bom é ser bobo, que o mundo é dos espertos e a lei do mais forte prevalece. Um grande jogo que fica potencializado no ambiente de trabalho, lugar do ganha-pão que garante nossa sobrevivência nesta economia baseada no dinheiro.

Mas não somos mais crianças. Como adultos podemos voltar a confiar, exercitar a generosidade nas relações humanas e nos defender caso alguém ultrapasse os nossos limites. Precisamos de um esforço especial para educar as pessoas para sentimentos bons e atitudes positivas frente ao próximo. Devemos estimular nosso potencial generoso e colocar esse sentimento em todas as nossas atividades e relações, sejam elas pessoais ou profissionais.

Você pode pensar que sua atitude individual é pouco em um mundo com sete bilhões de pessoas, mas não é. A humanidade é uma rede. Passe a ter atitudes individualmente e você vai sentir a diferença no seu dia. Quem estiver ao seu redor vai ser estimulado, será contagiado por suas ações, e quando você menos esperar, todos a sua volta estarão comentando sobre como algo mudou na dinâmica das relações deste grupo.

Precisamos passar a educar desde o jardim da infância sobre a importância do amor e da generosidade nas relações. Você não é obrigado a ser sempre generoso, mas precisa entender o valor que esta ação tem sobre as relações e o quanto ser generoso ou não afetará a felicidade do mundo ao seu redor. Um ambiente de generosidade gera confiança mútua e produz menos ansiedade, tensão e estresse. Você gasta menos energia tendo que se preocupar com desconfianças, e sua saúde mental e corporal agradecem.

Os mais céticos vão dizer que generosidade e amor não combinam com as empresas e relações comerciais. Ouvi o discurso do Dalai Lama, feito no Vale do Silício nos EUA, em fevereiro deste ano, em que ele fez um raciocínio muito simples. O ser humano precisa de conforto espiritual e material. A generosidade trás o conforto espiritual e a economia continua sendo necessária, pois gera o conforto material. O conforto espiritual não é concorrente do conforto material. A economia não deixará de existir só porque as pessoas estarão mais satisfeitas espiritualmente, pois ainda precisarão comprar bens para o seu conforto físico. Segundo “Sua Santidade”, também só falar em conforto espiritual não é real, portanto espiritual e material precisam andar juntos para o bem de todos.

Se você se relaciona com pessoas, é sua obrigação ser mais generoso antes de sair por aí postando “mais amor por favor” nas redes sociais. Vamos fazer as palavras bonitas saírem da latinha de refrigerante e se transformarem em ações concretas. Passamos mais de 10 horas do nosso dia nos relacionando com colegas de trabalho. Quem sabe não é por aí que mudaremos o mundo? Vamos buscar uma atitude de preocupação com os outros seres humanos. Quanto mais você dá amor, mais você recebe amor. Quer melhor retorno sobre investimento a curto prazo do que este?


ARNO DUARTE é coach e consultor organizacional na Favoo Desenvolvimento Humano. Adora o que faz, mas não deixa de se aventurar em peças de teatro, videoclipes, música, fotografia, meditação ou em qualquer coisa que estimule expressão e criatividade. Acredita que o sentido da vida é amar e se divide entre projetos pessoais e profissionais buscando a felicidade autêntica nas 30 horas do seu dia.

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